Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 Login
A morte do adolescente E.C.S., de 12 anos, em Umuarama-PR, reacendeu um alerta importante para pais, responsáveis e profissionais de saúde: a apendicite, quando não identificada e tratada precocemente, pode evoluir de forma rápida e grave.
O menino faleceu no último domingo (22), no Hospital e Maternidade Norospar, após dar entrada em estado crítico, com diagnóstico de apendicite supurada, peritonite e choque séptico. A causa do óbito foi confirmada como infecção generalizada decorrente da ruptura do apêndice.
Segundo informações divulgadas, a família buscou atendimento médico quando o quadro começou dias antes. A dinâmica dos atendimentos está sob análise técnica da rede municipal de saúde. Enquanto isso, a comoção da família e a preocupação da população trazem à tona uma questão central: como reconhecer os sinais da doença e agir a tempo?
O que é a apendicite
De acordo com a Literatura Médica, a apendicite é a inflamação do apêndice, pequeno órgão localizado no lado inferior direito do abdômen. Trata-se de uma das principais causas de cirurgia de urgência no mundo, especialmente entre crianças maiores, adolescentes e adultos jovens.
O problema geralmente começa com a obstrução do interior do apêndice, o que favorece a proliferação de bactérias. A inflamação aumenta progressivamente e, se não tratada, pode levar à necrose e à ruptura do órgão.
Quando ocorre a ruptura, o conteúdo infeccioso se espalha pela cavidade abdominal, provocando peritonite. Em casos mais graves, como o que ocorreu com o adolescente de Umuarama, as bactérias alcançam a corrente sanguínea, desencadeando sepse — uma resposta inflamatória intensa do organismo que pode comprometer múltiplos órgãos. Quando há queda importante da pressão arterial e risco iminente à vida, caracteriza-se o choque séptico.
Sintomas que não devem ser ignorados
O sintoma mais comum é dor abdominal. Frequentemente, ela começa na região do umbigo e, ao longo das horas, migra para o lado direito inferior do abdômen. A dor tende a se intensificar e piora ao caminhar, tossir ou fazer movimentos bruscos.
Outros sinais de alerta incluem:
Febre;
Náuseas e vômitos;
Perda de apetite;
Mal-estar geral;
Abdômen endurecido ou muito dolorido ao toque.
Em crianças e adolescentes, o quadro pode ser confundido inicialmente com virose ou “dor de barriga comum”. Especialistas alertam que dor abdominal persistente e progressiva, especialmente acompanhada de febre, deve sempre ser avaliada por um médico.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica, exames laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia.
Nos casos iniciais, o tratamento padrão é cirúrgico, com a retirada do apêndice (apendicectomia), procedimento que costuma ter boa recuperação quando realizado precocemente.
Quando há perfuração e infecção disseminada, o tratamento se torna mais complexo. Pode envolver cirurgia de urgência, antibióticos intravenosos e suporte intensivo em UTI.
Estudos médicos mostram que o risco de complicações aumenta conforme o tempo de evolução dos sintomas. Embora cada caso deva ser analisado individualmente, a literatura científica é clara ao indicar que a intervenção precoce reduz significativamente o risco de perfuração e sepse.