Quarta-feira, 27 de agosto de 2025 Login
Na manhã da última sexta-feira (22 de agosto), o centro cirúrgico da Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná – Hospital Norospar se transformou em palco de um marco histórico para a Neurocirurgia do Brasil, com a realização da primeira Cirurgia Endoscópica Biportal de Coluna na cidade. A técnica minimamente invasiva e altamente tecnológica tem revolucionado o tratamento de doenças degenerativas da coluna em grandes centros médicos do mundo. O Hospital Norospar, credenciado em Alta Complexidade em Neurocirurgia e referência para toda a Macro Região Noroeste, que comporta mais de 1 milhão de habitantes, foi um dos primeiros do interior do Paraná a receber a técnica, que exige equipamentos de alta tecnologia e equipes médicas e multidisciplinares capacitadas.
A paciente, uma mulher de pouco mais de 70 anos, chegou à sala de cirurgia depois de anos convivendo com dores, fadiga extrema e a perda progressiva da capacidade de andar. “Ela já não conseguia permanecer em pé por muito tempo. Pequenos esforços a deixavam exausta”, contou o neurocirurgião Dr. Danilo Magnani Bernardi (CRM‑PR: 20.713 – RQE: 16.667), responsável pelo procedimento, ao lado do colega Dr. Régis Tavares da Silva (CRM: 7.828 – RQE: 9.151), de Brasília, um dos pioneiros da técnica no Brasil.
Dois dias após a cirurgia, a paciente teve alta. Segundo o Dr. Danilo, ela caminhava sem apoio, estava sem dor e apresentava melhora em seu estado geral de saúde. Nesta terça-feira (26 de agosto), cinco dias após o procedimento, ela apresenta um aumento substancial da mobilidade, está caminhando sem apoio e relata que não sente dor.
A Cirurgia Endoscópica Biportal de Coluna não é apenas mais uma inovação tecnológica. Ela simboliza uma mudança de paradigma na forma de tratar a estenose lombar — o estreitamento do canal vertebral que comprime nervos e compromete movimentos. Até pouco tempo, as opções eram limitadas: grandes cortes, risco elevado de sangramento, infecções, longas internações e complicações que inviabilizavam o procedimento, principalmente em pacientes idosos com comorbidades, como pressão alta e diabetes.
Com a técnica endoscópica, a realidade é outra. O cirurgião faz apenas duas pequenas incisões na pele. Por uma delas, introduz os instrumentos cirúrgicos. Pela outra, uma microcâmera envia imagens em alta definição para a tela, permitindo visão ampla e precisa do campo operatório. “O orifício é pequeno, pouco maior que a circunferência de uma caneta”, descreveu Bernardi. “Isso muda tudo: reduz sangramento, diminui a dor, acelera a recuperação e dá mais segurança.”
Para o Dr. Régis Tavares, “estamos falando da democratização da cirurgia de coluna. Com essa técnica, conseguimos tratar pacientes que antes ficavam condenados a viver sem andar ou com dor intensa, porque não tinham condições de enfrentar uma cirurgia aberta”, explicou.
De onde veio essa inovação?
O caminho até chegar ao centro cirúrgico do Hospital Norospar, em Umuarama, foi longo. A ideia inicial surgiu na Argentina, em meados da década de 1990. Mas foi na Coreia do Sul, em 2013, que a técnica ganhou corpo e protocolos definidos, pelas mãos do médico Dr. Sang Kyu Son. Em 2022, após treinamento direto na Coreia com o Dr. Son e sua equipe, o Dr. Régis Tavares e seu colega, também neurocirurgião, Dr. Eidmar Augusto Neri (CRM-DF: 10.140 – RQE: 5.475), foram pioneiros ao introduzir o método no Brasil. Desde então, têm levado a técnica a diferentes centros de referência, capacitando equipes e disseminando conhecimento.
“É uma jornada que levou quase 20 anos para se consolidar. Hoje temos a chance de oferecer, até mesmo fora das grandes capitais, um procedimento de altíssimo padrão”, reforçou o neurocirurgião de Brasília.
Para o Dr. Danilo Bernardi, que se especializou na técnica com o Dr. Régis e sua equipe em Brasília, não é por acaso que Umuarama recebeu essa cirurgia de vanguarda. “A cidade sempre foi uma ilha tecnológica em saúde. Temos hospitais estruturados, equipes qualificadas e uma comunidade que valoriza muito o acesso a avanços médicos. Isso faz toda a diferença.”
Segundo Tavares, o objetivo é justamente esse: ampliar horizontes. “Não podemos aceitar que apenas grandes capitais tenham direito às melhores técnicas. É preciso democratizar a medicina. E Umuarama dá um exemplo ao país inteiro.”
Para o Dr. Luiz Batista de França, presidente da Norospar, “a realização da primeira Endoscopia Biportal de Coluna em Umuarama não é apenas um evento médico. É um marco que projeta a cidade no mapa da inovação em saúde. Representa o encontro entre tecnologia, conhecimento científico e humanidade — pilares que sustentam o futuro da medicina”, declarou.
ROSI RODRIGUES
Jornalista
FONOAUDIOLOGIA
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