Domingo, 22 de fevereiro de 2026 Login
Como os sistemas de IA são treinados a partir de dados históricos, existe o risco de que padrões discriminatórios se perpetuem se esses dados não forem representativos da diversidade populacional. Isso pode resultar em decisões enviesadas que comprometam a equidade no acesso à saúde. A supervisão contínua dos algoritmos, com auditorias técnicas e éticas, é fundamental para garantir que os resultados gerados sejam confiáveis e justos para todos os grupos sociais.Um levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), em parceria com a Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs (ABSS), revelou que, em 2023, 62,5% das instituições de saúde no Brasil já incorporavam a tecnologia em suas operações, evidenciando a rápida adoção da IA no setor. Dos 45 hospitais respondentes, 55,1% dos entrevistados afirmam ter investido, nos últimos dois anos, em soluções que têm a IA como base para a entrega de valor de resolução dos problemas e 62,5% declaram que já utilizam a tecnologia de alguma forma em seus processos.
Tornar compreensíveis os critérios utilizados pelos sistemas de IA é essencial para evitar que decisões clínicas pareçam ser tomadas por "caixas-pretas". A explicação clara dos dados e dos parâmetros considerados fortalece a relação médico-paciente, permitindo que o profissional de saúde compreenda as recomendações da IA e as utilize de forma crítica e responsável, potencializando sua tomada de decisão ao invés de substituir. Essa transparência também permite a identificação precoce de falhas e vieses, além de fomentar um ambiente regulatório mais seguro.
No Brasil, a discussão sobre a regulamentação da inteligência artificial tem ganhado fôlego com o Projeto de Lei nº 2.338/2023, que propõe um marco legal para o uso da IA, incluindo diretrizes específicas para sistemas de alto risco, como aqueles voltados à saúde. A proposta prevê classificações, exigências de transparência e supervisão ativa, buscando equilibrar inovação e segurança. No entanto, especialistas alertam para a importância de uma regulação que não impeça o progresso, mas que estimule o uso ético e eficaz das novas tecnologias.
Além das questões legais e técnicas, é imprescindível pensar na formação dos profissionais da saúde. A capacitação adequada é o que garante o uso ético e eficiente das ferramentas baseadas em IA, evitando a dependência cega das recomendações automatizadas e promovendo o julgamento clínico baseado em conhecimento e experiência. A ética, nesse contexto, deve permear todo o ciclo de vida das soluções em IA na saúde da concepção ao uso clínico. Princípios como equidade, beneficência, não maleficência e justiça devem guiar os desenvolvedores, os profissionais e os reguladores.
Em síntese, a inteligência artificial representa uma oportunidade real de democratizar o acesso à saúde, aumentar a precisão diagnóstica e apoiar profissionais em decisões complexas. No entanto, para que essa transformação seja benéfica e sustentável, é fundamental que o desenvolvimento e a implementação dessas tecnologias sejam guiados por princípios éticos sólidos, rigor técnico, transparência algorítmica e responsabilidade compartilhada. Assim, a inovação pode caminhar lado a lado com a dignidade, a equidade e o bem-estar de todos os pacientes.
AUTOR: Rafael Figueroa é empreendedor serial e especialista em machine learning, com impacto em 30 milhões de pacientes por meio de soluções de inteligência artificial em saúde, e CEO da Portal Telemedicina.
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