Domingo, 22 de fevereiro de 2026 Login
Com o aumento da expectativa de vida e a melhoria das condições de saúde da população idosa, temas antes considerados tabu passam a integrar, com cada vez mais naturalidade, o cotidiano dos brasileiros com mais de 60 anos. Um desses assuntos é a vida sexual na terceira idade, que continua sendo parte fundamental do bem-estar, da autoestima e da qualidade de vida — mas que também exige cuidados específicos com a saúde.
O desejo de amar e ser amado não tem prazo de validade. Estudos recentes apontam que a sexualidade permanece ativa para muitas pessoas idosas, mesmo em idades avançadas. Mas, à medida que envelhecem, é comum que homens e mulheres enfrentem preconceitos, desinformação e dificuldades em falar sobre o tema com os profissionais de saúde, amigos ou familiares. Isso contribui para que um aspecto essencial da saúde seja, muitas vezes, negligenciado: a prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Segundo dados do Ministério da Saúde, nas últimas duas décadas, aumentou significativamente o número de diagnósticos de HIV entre pessoas acima dos 60 anos. Em grande parte, isso se deve à falta de uso de preservativos, associada à falsa crença de que, por estarem fora da fase reprodutiva, o sexo pode ser desprotegido.
Foi o que aconteceu com um morador da Região de Umuarama, hoje com 72 anos, que após ficar viúvo aos 65, decidiu abrir novamente o coração. Solitário, buscou novos relacionamentos, mas acabou se deparando com desafios que não esperava. Além da dificuldade em encontrar uma parceira com afinidade, ele contraiu o vírus HIV. “Foi um susto muito grande. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo nessa idade. A gente pensa que só jovem pega essas coisas. Mas a verdade é que a prevenção nunca pode ser deixada de lado. Usar camisinha não é algo que devemos ter medo. Devemos ter medo é da Aids”, afirmou.
Hoje, ele convive com a infecção com apoio dos profissionais de saúde do seu município e da família. “Levo uma vida praticamente normal, mas poderia ter evitado tudo isso com um simples cuidado”, diz.
A orientação e a informação, de fato, fazem toda a diferença. Aos 71 anos, uma professora aposentada da mesma cidade também ficou viúva, mas trilhou outro caminho. “Sempre procurei dar aulas de orientação sexual para meus alunos, mesmo quando o tema ainda era um tabu. Quando comecei um novo relacionamento, coloquei o uso de preservativo como uma condição. Sexo é bom, é saudável, mas precisa ser seguro, em qualquer idade”, afirma.
Ela está atualmente casada, feliz, e acredita que o respeito mútuo e a comunicação aberta são a chave de tudo. “Falar sobre sexo é importante. Não devemos ter vergonha. A intimidade deve vir acompanhada de responsabilidade, em qualquer fase da vida.”
Um guia para viver melhor
O Ministério da Saúde, atento a essa realidade, lançou o Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, que aborda não apenas as questões de saúde física, mas também orientações sobre sexualidade na terceira idade. O material destaca a importância do prazer como um componente essencial do bem-estar e da saúde integral, e estimula os idosos a conversarem com suas equipes de saúde da família sempre que tiverem dúvidas ou enfrentarem dificuldades relacionadas à vida sexual.
Além disso, o guia orienta sobre o uso de preservativos — masculinos e femininos — e lembra que todos esses métodos são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Outro ponto importante é a abordagem sobre o direito das pessoas idosas a viverem plenamente sua sexualidade, livre de preconceitos, violência ou discriminação.
Em muitos municípios, equipes de saúde vêm promovendo rodas de conversa, atendimentos individuais e ações educativas para ampliar o acesso à informação e aos serviços, especialmente nas unidades básicas de saúde.
Saúde e prazer podem caminhar juntos
Manter uma vida sexual ativa e prazerosa na terceira idade não é apenas possível — é recomendável. Pesquisas mostram que pessoas que cultivam relacionamentos afetivos e íntimos tendem a ter melhor saúde mental, menos incidência de depressão e mais engajamento social. No entanto, para que esse prazer venha acompanhado de segurança, é necessário quebrar barreiras, falar abertamente sobre prevenção e incentivar o diálogo com os profissionais de saúde.
A sexualidade é uma expressão legítima da vida humana em qualquer fase, inclusive na velhice. Com informação, acolhimento e responsabilidade, é possível viver o amor e o sexo com dignidade, liberdade e proteção — exatamente como deve ser.
Para acessar o Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa, visite o portal oficial do Ministério da Saúde: www.gov.br/saude

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